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Hábito de vencer

O que é ao certo um hábito?

De forma suavizada, é um comportamento que inicia a sua vida como uma simples escolha e evolui para um padrão praticamente inconsciente.

Como quando aprendemos a conduzir: nas primeiras aulas, realizar manobras exige uma elevada dose de concentração para calcular distâncias, acertar com os pedais e estar atento a tudo o que se passa nas imediações. O certo é que com o passar do tempo, todas estas tarefas passam a ser realizadas de forma automática, este comportamento torna-se assim um hábito.

Todos os hábitos, sejam simples ou mais complexos, seguem uma estrutura de funcionamento semelhante: O gatilho, algo que de forma inconsciente diz ao nosso cérebro para realizar este ou aquele hábito. De seguida vem a rotina, que pode ser física, mental ou emocional. E por fim, a recompensa, é esta última que leva o cérebro a decidir se há-de manter ou substituir este hábito por outro. Se, ao entrar na sua garagem, raspar com o pára-choques no pilar mais próximo certamente vai começar a estar mais atento e a ganhar o hábito de olhar para o pilar quando efectuar a manobra. Compreender como o hábito funciona torna mais fácil controlá-lo.

Os hábitos variam naturalmente de acordo com o sujeito ou organização em causa. No caso de pequenos projectos de desenvolvimento pessoal, existem estudos que indicam que, quando as pessoas começam a investir parte do seu tempo nestes projectos, o seu bem-estar e renovação de padrões acaba por influenciar outros aspectos das suas vidas, tornam-se mais produtivas, mostram-se mais pacientes e, consequentemente, tomam melhores decisões a longo prazo. Um hábito-base tem invariavelmente uma forte componente emocional e, para o conseguirmos alterar, teremos que desencadear em nós o que chamamos de pequenas vitórias, só assim conseguimos ganhar confiança para alterar a percepção que temos de nós próprios. Uma forma de encontrar um hábito-base é perguntar-se que mudança lhe parece ilogicamente intimidante. Largar um velho hábito ao início pode parecer impossível mas, a partir do momento em que dominamos a alteração, mesmo que a um nível inconsciente, percebemos que, temos controlo sobre a mesma tornando-se mais fácil expandir esta forma de racionalizar para outros hábitos.

Mas afinal o que é que isto tem a ver com o pensamento Lean?

Bem mais do que à partida poderíamos pensar, infelizmente o pensamento lean, tem inúmeros obstáculos a ultrapassar até ser correctamente assimilado. E a mudança dos velhos hábitos de gestão para um sistema de gestão Lean é um deles. Ao contrário de uma pessoa que habitualmente tem dois ou três “maus hábitos” que reconhece e que sabe que necessitam de ser alterados, uma organização tem dezenas (senão centenas) de hábitos incapacitantes e, pior que isso, não tem a percepção da maior parte deles. Por cima de isto tudo está ainda a dificuldade sentida em mudar não um mas o hábito de dezenas ou centenas de pessoas de forma contínua.

Será que o Lean pode nos ajudar nesta área emocional?

Certamente que sim, aliás o crescimento da área do Lean Coaching surge da necessidade de identificar, analisar e entender a importância dos hábitos e rotinas para o nosso bem-estar emocional, fornecendo as ferramentas ao indivíduo para que ele se ajude a si mesmo, materializando assim todo o seu potencial e ajudando os colegas a fazer o mesmo.

Mas não só no Lean Coaching que a mudança de hábitos é abordada, a pioneira Toyota, já na década de 50 utilizava esta abordagem como base para a criação e manutenção de standards ou a estabilidade dos processos. Fá-lo pois reconhece que sem rotina não é possível criar ou alterar um hábito de forma definitiva.

Como a gestão pode ajudar a mudança de hábitos das suas equipas:

Gatilho: Realização de workshops (5S/TPM/SMED, etc.) numa área ou bancada de trabalho, alertando sempre os colaboradores para a necessidade de colocarem questões que achem pertinentes e ao mesmo tempo que identifiquem possíveis constrangimentos que possam surgir no futuro. Deste modo, estamos a aproveitar o workshop para resolver obstáculos de forma definitiva, incutindo assim a ideia de que a opinião e sugestões realizadas podem de facto ser implementadas, facilitando assim o pensamento crítico face a outros processos ou procedimentos por parte dos participantes e restante organização.

Rotina: Criar a rotina diária de analisar, acompanhar e capacitar as equipas no rumo à independência e capacidade de resolverem os problemas de forma autónoma e eficaz. Estabelecer procedimentos e dar formação de modo a tornar transversal a necessidade de manter a fasquia no patamar alcançado, evitando a todo o custo que se (re)inicie uma onda de desleixo.

Recompensa: Independentemente da iniciativa de mudança ter obtido os resultados esperados o que é verdadeiramente importante aqui é incutir a mentalidade de que o conformismo e encolher de ombros não é o que se pretende na organização. Apenas o comportamento pro-activo de partilha de conhecimento e experiências será premiado. Sem termos em consideração estes três pilares do hábito o mais certo é que com o passar do tempo a mudança de hábito seja revertida, tornando todos os recursos investidos na mesma em puro desperdício.

A melhoria contínua não é mais do que a vontade de elevar a qualidade, eficácia e eficiência dos nossos hábitos todos os dias, sempre, caminhando com a certeza de que este é o caminho vencedor.

“Your beliefs become your thoughts, your thoughts become your words,
Your words become your actions, your actions become your habits,
Your habits become your values, your values become your destiny.”
 
Mahatma Gandhi
 

João Castro
ex-Consultor CLT Services

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28 Abr, 2016
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