João Paulo Pinto, CLT Services © 2026
O indicador que atravessa toda a Organização e que poucos medem
No prefácio da edição inglesa de Toyota Production System (1988), Taiichi Ohno resume aquilo que a Toyota andava a fazer numa ideia elementar: observar a linha do tempo que vai do momento em que o cliente coloca a encomenda até ao instante em que a empresa recebe o dinheiro, e encurtá-la removendo tudo o que não acrescenta valor.
Isto não é uma teoria complicada, é apenas foco! Quase quatro décadas depois, continua a ser o melhor critério para orientar uma cultura de melhoria contínua.
Um indicador que não deixa esconder nada
A maioria das empresas que conheço mede o desempenho por departamento: eficiência da produção, OEE, poupanças nas compras, prazo médio de recebimento, custo unitário. Cada função optimiza a sua parcela e o desempenho global mantém-se aquém do esperado. É o clássico óptimo local.
O lead time da encomenda ao dinheiro (order-to-cash, O2C) tem uma virtude rara: atravessa todas as fronteiras funcionais. Comercial, engenharia, planeamento, compras, produção, logística, qualidade, facturação e cobrança estão todos lá dentro. Ninguém o melhora sozinho e ninguém se esconde atrás dele.
Acresce um facto financeiro elementar: tempo é dinheiro imobilizado. Cada dia de O2C é fundo de maneio preso em matérias-primas, produto em curso, produto acabado e crédito concedido ao cliente. Encurtar a linha do tempo liberta tesouraria sem exigir investimento.
O tempo raramente está onde se julga
Quando uma empresa decide reduzir prazos, o olhar vai quase sempre para o shop floor (Operações). Mas quando se mapeia o fluxo completo, o padrão repete-se: a fracção do tempo total em que o produto está efectivamente a ser transformado é muito pequena (frequentemente abaixo de 5%). Todo o restante é espera. E por muito que custe a admitir, as maiores esperas costumam estar fora das Operações:
Reduzir em 20% o tempo de ciclo de uma operação que representa 2% do O2C é irrelevante. Por isso o ponto de partida correcto é o mapeamento do fluxo de valor alargado ao processo administrativo, e não apenas ao fabrico e nada como o MIFA (Materials and Information Flow Analysis) para fazer este mapeamento.
Iniciativas que funcionam
Medir o que interessa
Quatro indicadores chegam para começar:
Por onde começar?
Escolha uma família de produtos ou um segmento de clientes representativo. Mapeie o fluxo do pedido ao recebimento com datas reais, e não com o processo teórico. Identifique as cinco maiores esperas. Ataque duas delas em ciclos de quatro a seis semanas. Meça e repita.
Não é um projecto de dois anos. É uma disciplina de gestão.
Como a CLT Services intervém:
A CLT Services acompanha empresas industriais e de serviços exactamente neste terreno: diagnóstico e mapeamento do fluxo da encomenda ao recebimento (MIFA), redesenho de processos operacionais e administrativos, implementação de sistemas pull e de buffers (kanban, DDMRP), implementação de quadros de indicadores, formação e treino de equipas e instalação de uma cadência de melhoria contínua que se sustenta depois de sairmos.
Se quiser saber quanto tempo, quanto dinheiro está preso na linha do tempo da sua Empresa, fale connosco: www.cltservices.net (936000079).
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